Peixe fora d’água, fé e gratidão

Por Fabiana Santos (Fabiana@fabianasantos.com.br)

“Há mais coisas entre o céu e a terra do que julga nossa vã filosofia”. Às vezes, é muito difícil entender, de forma plena, o contexto do que nos acontece. Só conseguimos compreender as experiências do nosso próprio ponto de vista, e há momentos em que, embora possamos notar algumas relações entre os eventos, não podemos conhecer todas as relações.

Hoje de manhã, caminhava pela praia, quando uma onda forte subiu do mar, com toda a sua potência, e deslizou de volta, deixando na areia, a mais ou menos 20 metros de onde eu estava, um peixe do tamanho de uma régua escolar dessas comuns, das maiorzinhas.

O bichinho ficou agonizando longe da água enquanto eu ia na sua direção pensando se deveria jogá-lo de volta no mar ou se, em muito pouco tempo, outra onda viria para resgatá-lo, dando uma solução menos traumática para o seu azar.

Um senhor, que também fazia sua caminhada, vinha pela direção oposta e não tinha avistado o peixe se batendo na areia em desespero. Era para mim que ele olhava, aguardando o momento de me cumprimentar, como fazem, em geral, os bem-humorados que compartilham um cenário deslumbrante. Quando me disse “bom dia!”, eu, em meio à minha dúvida sobre socorrer logo o peixe ou esperar um pouco mais, retribuí, sem pensar, com a frase “olha o peixe!”, apontando para onde o sofredor estava.

O homem, mais do que depressa, catou o bichinho pela cauda e o arremessou de volta para o mar. Observei a altura e a distância que a vítima-voadora percorreu no ar e fiquei pensando que a pancada na água não deve ter sido agradável.

Bem, ele foi salvo! Imagino que a queda n’água não foi suficientemente forte para matá-lo!

E aí a minha imaginação voou! Fiquei pensando no que teria sido aquela experiência para o peixe. Estava lá, nadando, vai ver que estava procurando sua comidinha e, de repente: “não consigo respirar!”. Sem saber o que estava acontecendo, sufocando na areia dura, quanto mais tenta encontrar seu oxigênio dissolvido na água, mais cansado fica, sem nenhum resultado…

Quando pensa em desistir, eis que sente uma forte e dolorosa pressão na sua nadadeira, como se ela fosse ser arrancada, e sente a sua barriga se revirar ao dar piruetas com mar em cima, mar em baixo, até que uma pancada o deixa tonto e ele, perdido, se vê respirando novamente. Se soubesse falar, o peixe teria dito “anotaram a placa?”. Todo dolorido, ele sai nadando como pode. Jamais será capaz de explicar o que aconteceu para outro peixe…

Fui mais longe! Pensei que esta praia é cheia de pescadores e que o peixe foi encontrado justamente por dois cuidadosos caminhantes, uma que o viu e outro que o acudiu rápido. Ele não teria sido poupado se os pescadores o achassem naquele momento. Ontem mesmo, vi um igualzinho a ele num balde de pescadores, dividindo seu espaço com um polvo morto.

Continuei minha caminhada e, para alimentar mais ainda as minhas especulações, encontrei um peixe morto na areia. De novo: era igualzinho ao meu sofredor.

Que bicho de sorte! Poderia ter sido capturado e morrido em desespero. Ou poderia apenas ter morrido em desespero. No entanto, ele não tem a menor ideia que escapou ileso (espero!) do seu acidente.

Fiquei pensando que ali estava uma metáfora muito interessante sobre as coisas que se passam com a gente.

Quantas vezes já não devemos ter levado pancadas que salvaram nossa pele? A vida dá pancadas que nos deixam atordoados e sem rumo. Alguns anos depois, até reconhecemos os males que vieram para o bem, mas isso leva tempo, normalmente.

Quantas não são as experiências em que saímos tontos, doídos, porém mais fortes, ainda que não saibamos ao certo onde é o norte? Será que conseguimos mapear exatamente o que aconteceu?

E será que, quando nos sentimos maltratados pela vida, não estamos, na verdade, dando uma sorte danada e nem sabemos, como foi o caso do peixe?

Isso só me faz pensar em como é importante confiar na vida. Muitos dizem que é fácil perder a fé, mas é muito mais difícil viver sem ela. É duro experimentar a vida deliberadamente desconsiderando a possibilidade de estarmos intrinsecamente conectados a tudo que nos cerca. E que essa conexão se fundamenta no bem e no amor.

E quais seriam as outras opções? Não temos acesso a todas as informações e desconhecemos a maior parte das variáveis que nos envolvem. Entretanto, com frequência nos deparamos e somos impactados por conexões que não tínhamos imaginado. Podemos supor que as coisas acontecem da melhor forma possível. Podemos, ao contrário, supor que os eventos nos desfavorecem. Podemos supor que tudo acontece ao acaso. De qualquer maneira, estaremos sempre supondo, não temos como ter certeza! A fé é uma escolha.

Resta a coragem de agradecer por estarmos vivos, pelo menos! Não sabemos bem como chegamos até aqui, de quantas tragédias escapamos…

Se não temos todos os elementos para julgar as situações, é sempre possível encontrar algo para se sentir grato a Deus, ao universo, à energia cósmica, à vida, à evolução das espécies, ao que quer que você acredite ser a sua ligação com o que é maior do que nós.

A recompensa? A gratidão eleva o nosso espírito! E se você estiver me achando muito mística, vamos pelo outro lado. A gratidão torna o nosso estado emocional mais positivo. Ao entrarmos numa vibe positiva, ficamos mais propensos à aprendizagem, à associação de ideias, à criatividade e ao melhor discernimento. É o que vem dizendo a Ciência. Mas a fé já disse antes.

Este artigo fez diferença para você? Conte-me o que achou! Vou adorar saber!

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Desejo, motivação, inspiração e fome!

Por Fabiana Santos (fabiana@fabianasantos.com.br)

A motivação (para tudo na vida!) vem sempre de um desejo. Você já prestou atenção no quanto nos sentimos vivos quando queremos alguma coisa de verdade? E por que será que, quando não conseguimos logo o que desejamos ou quando fica difícil demais, essa sensação boa vai embora? Afinal, é bom desejar?

Como é que você lida com o desejo? Eu vou explicar a minha pergunta, mas para isso preciso contar uma historinha trivial que me aconteceu hoje… Você sabe, desses acontecimentos banais é que a gente pode tirar as lições mais profundas…

Hoje eu estava indo encontrar uma amiga para almoçarmos juntas num restaurante que nós duas gostamos. Como é domingo, decidimos marcar um pouquinho mais tarde. Enquanto dirigia até o restaurante combinado, percebi que estava com bastante fome. Já tinha um tempão que havia tomado o café da manhã.

Fiquei feliz com aquela sensação no meu estômago. Que desperdício seria ir para um lugar onde a comida é tão gostosa e estar sem fome… Gostei muito daquela fome, de estar com fome! Que delícia é sentir fome quando sabemos que estamos a poucos minutos de comer muito bem! E ainda desfrutar de uma excelente companhia. Tudo certo! Eu estava grata por estar com fome. A fome tornou tudo mais interessante!

Mas essa minha felicidade antecipada, que a fome me trazia, também provocou algumas reflexões. O que é a fome? A fome é uma manifestação de um desejo físico. É maravilhoso desejar quando você sabe que o seu desejo logo será atendido. Estar com fome, ou com desejo, estava contribuindo para tornar a minha expectativa para a tarde muito mais agradável. Eu já imaginava o que comeria, como teria um prazer extra (por causa da fome) ao saborear o prato escolhido.

Porém, não pude deixar de pensar: como será que eu lidaria com essa mesma fome se eu soubesse que a comida iria demorar? E se eu tivesse ainda que comprar os ingredientes e cozinhar? E se eu não tivesse o que comer nas próximas horas? E se eu não soubesse quando iria comer de novo? Talvez eu ficasse bem irritada, talvez desanimasse, talvez reclamasse do próprio desejo.

Não sei se você está percebendo onde estou querendo chegar. Quero chegar na pergunta que lhe fiz lá em cima: Como é que você lida com o desejo? Como é que você lida com os seus desejos mais complexos como encontrar um novo amor, passar em um concurso, fazer uma viagem cara e demorada, ganhar mais, ser reconhecido no seu trabalho… Como?

Provavelmente esses são desejos mais difíceis de serem atendidos ou que vão demorar para acontecer. Esses desejos vão requerer trabalho (ação) e tempo (paciência e persistência). E aí? Será que você vai ficar feliz antecipando a satisfação que virá? Será que você vai curtir o desejo e aproveitar a motivação que ele representa?

Desejo e motivação são amantes, ou farinha do mesmo saco, se quiser ser menos poético. A motivação é o motivo para agir. A motivação vem do desejo, vem da antecipação do desejo satisfeito, do prazer que virá com essa satisfação.

Quando você está desmotivado, há uma desconexão com o seu desejo e com o prazer que ele pode antecipar. Ele deixou de ser um estímulo e passou a ser um incômodo. E, dependendo do caso, o incômodo pode durar meses, talvez anos. O cerne do problema é que você não tem certeza se vai conseguir satisfazer o seu desejo e quanto tempo vai demorar até lá. Ou pode ser que você até saiba, mas está infeliz por ter que esperar ou pelo esforço que vai empreender.

Então, a grande questão em se manter motivado é conseguir curtir o desejo e a antecipação de prazer que decorre dele durante o tempo (e o esforço nesse tempo, se for o caso) necessário para satisfazê-lo e mesmo sem saber se ele será satisfeito … É isso? Sim, esse é o ponto! A impaciência e a incerteza destroem a sua motivação.

Você pode estar intrigado: “mas não tenho mesmo como saber se vou atingir o que eu quero.” E eu respondo: decida-se a não se importar com isso! Porque, no fim das contas, você pode se decidir a acreditar que vai alcançar o que quer. Ou a acreditar que não vai. E essa decisão, que é emocional, vai impactar os seus resultados. Nenhum ser humano gosta de perder tempo ou energia com o que pode não acontecer! Como você não sabe, que tal apostar que sim?

Não importa se decidiu certo ou errado. Importa se a decisão permite que você esteja motivado para seguir em frente e fazer o que é preciso para conseguir o que quer. Importa se você está curtindo o desejo, porque, se você estiver, suas chances de satisfazê-lo vão aumentar muito!

Além do mais, respeite o seu desejo. As pessoas possuem desejos diferentes. Respeite os seus! A nossa mente foi feita de forma a desejar apenas o que é possível alcançarmos. Preste atenção, como é que a humanidade poderia ter desejado um carro em 1600? A mente humana ainda não achava que era possível, sequer imaginava algo como um carro. Foi só a partir da máquina a vapor que percebemos que um automóvel seria um feito possível. E então alguém desejou. E o primeiro carro foi fabricado.

E o meu desejo na tarde de hoje? Não comentei, mas o desejo é também amante da inspiração! Ah…! A inspiração! Melhor do que sentir um impulso forte, que você não consegue explicar exatamente de onde vem, de criar ou de fazer algo, é deixar-se seguir esse impulso e permitir-se a entrega ao desejo! Eu desejei compartilhar com você essa minha experiência comum e a reflexão incomum que ela gerou.

Depois de um período de alguns meses de trabalho intenso e de um descanso quase pleno, finalmente voltei a me sentir inspirada para escrever de novo. Obrigada, desejo!

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Quando as coisas não acontecem como você planejou

Fabiana Santos cartões de embarque

Por Fabiana Santos (Fabiana@fabianasantos.com.br)

Neste artigo, escrito dentro do avião, quero compartilhar uma experiência de planejamento que “furou” e alguns aprendizados. Assim é a nossa vida… cheia de situações corriqueiras e de situações inesperadas que, se estivermos atentos, são repletas de ensinamentos. Mas só se estivermos atentos…

Então lá vai! Vou ter que contar uma estorinha para você entender a mensagem, pode ser? É que os detalhes são importantes neste caso (talvez em todos os casos…).

Ultimamente, planejar para mim tem sido uma “curtição”. Isso mesmo! Tenho  propositadamente reservado tempo para me organizar, pensar, projetar,  porque descobri que adoro ficar imaginando como as coisas vão acontecer e me planejar para elas.  Para mim é quase um jogo… E não posso deixar de dizer que é uma delícia quando vejo o que foi planejado dando certo!

Fazer longas viagens de avião não tem nenhum “glamour”, embora possa parecer que tenha. Pois é, aqui estou eu dentro do avião (exatamente enquanto escrevo isso)  que vai de San Jose (no Vale do Silício, Califórnia) para Dallas, escala para o meu destino quase final, que é Miami. Em Miami, tenho uma espera de 5 horas, antes de pegar o voo de volta para o Brasil e chegar em casa na manhã do dia seguinte. Essa informação é relevante para que você possa entender que se trata de um dia e uma noite de aeroportos e aviões e ter uma ideia de como o planejamento para uma viagem como essa pode ser relativamente complexo se quiser utilizar o seu tempo  para estudar, trabalhar, enfim,  fazer alguma coisa útil e ter um pouco mais de conforto.

A principal parte do planejamento consiste na decisão e no arranjo dos itens que vão na bagagem que será despachada e dos que levo comigo no avião. Fiquei, sem brincadeira, umas duas horas planejando esse arranjo,  baixando arquivos e aplicativo no celular, ajeitando tudo para levar comigo na malinha de bordo e na bolsa,  com a intenção de despachar o resto.  Não estou contando aqui o tempo de arrumar as malas, que já estavam praticamente prontas.

Arrumei a malinha para que ela contivesse tudo o que preciso dentro do avião e durante a espera nos aeroportos: meu travesseirinho, uma pequena nécessaire, meu computador, com o seu carregador, livros, papel para escrever, um casado mais leve para o dia e um mais pesado para usar no voo da noite, além de alguns itens eletrônicos que comprei e que queria proteger de impactos desnecessários.

Acontece que aqui nos States, você paga para despachar a sua bagagem nos voos domésticos. Paga por cada mala e não é barato! E o efeito disso é que as companhias aéreas acabam fazendo com que praticamente todas as pessoas levem consigo a tal da malinha. Eu fui ficando para o final da fila na hora do embarque e… your attention, please! A companhia aérea avisando que não havia mais espaço para colocar malinhas dentro do avião, os maleiros estavam lotados, portanto todo mundo que ainda não havia embarcado teria que despachar suas malinhas, “sem custo”, claro… Aham… Como dizem por aqui… Oh, my god!!

E agora? O que deixo na malinha e o que levo comigo? Veja bem, são 8 horas até chegar em Miami, onde poderia retornar para o esquema que planejei originalmente. Solução: vesti o casaco leve e ainda bem que escolhi uma bolsa maior para trazer comigo e pude tirar da malinha o eletrônico mais frágil de todos, o computador e um livro. Foi o que deu para trazer. Fiquei sem o resto…

O eletrônico ou o travesseirinho? Lá se foi o travesseirinho… Lá se foi escovar os dentes depois do almoço porque a nécessaire também foi embora… Abri mão de alguns itens e priorizei outros, não sem uma certa frustração, agonia, sentimento de injustiça e receio de que os eletrônicos que ficaram na malinha se quebrassem com o manuseio de avião para avião para aeroporto. Pedi para colocarem uma etiqueta de “frágil” na malinha e, bem, fiquei com a bolsa lo-ta-da! Por último, lá se foi minha elegância, porque, além da bolsa disforme, tive que carregar o computador na mão, como se fosse um livro. Agora é que não tem glamour mesmo!

Como tento manter o meu “modo de aprendizagem” sempre ativado, o que eu aprendi com essa experiência? Aí vai a lista:

A primeira e mais óbvia aprendizagem foi: agora estou entendendo porque o povo aqui paga mais caro para entrar primeiro no avião. (Rsrsrs) Sim, é importante saber porquê as coisas funcionam como funcionam.

Aprendi que as minhas duas horas de planejamento valeram a pena, porque consegui me adaptar com agilidade à mudança inesperada de planos. Essa é a característica de um bom plano! Você consegue fazer ajustes com agilidade porque os objetivos estão muito claros. E você permite espaço para a intuição surgir no momento em que planeja, quando planeja com calma. Olha como foi importante para mim ter escolhido uma bolsa maior e tê-la deixado quase vazia, apenas com os itens essenciais. E, atenção! Os planos serão ajustados.  Às vezes, são ajustes mínimos, às vezes, são grandes alterações. Já pensou nisso? Você reconhece um bom plano quando você é capaz de enfrentar o imprevisto e se adaptar com relativa facilidade!

Como é possível aprender e reaprender a mesma coisa várias vezes, sob diferentes ângulos, aprendi também que quando as coisas não acontecem como você gostaria, confiar é fundamental e faz toda a diferença na maneira como você vivencia os acontecimentos e nos resultados que você obtém. Na verdade, é a única coisa a ser feita…. De que adianta eu me preocupar com o meu dia fora dos eixos e com os itens que poderiam quebrar na malinha? Eu decido confiar. Quero destacar a palavra “decido”. E esse sentimento ficou mais forte com o sorriso do rapaz para quem eu entreguei a malinha. E ficou mais forte ainda quando, ao me sentar, me dei conta de que ganhei um artigo com essa confusão! E ganhei inspiração! Ao refletir sobre essa experiência, vi o seu valor e bateu uma vontade enorme de escrever! Inspiração! Como os momentos inspirados são preciosos! Aqui estou eu escrevendo como se estivesse fazendo um download!

E você? Está se dando o tempo necessário para planejar as coisas importantes para você?  E se a resposta for sim, está vivenciando com prazer esse momento de planejar? Por favor, me conte, vai!

Quero saber também se você está exercitando a confiança quando as coisas não acontecem do jeito que planejou ou como gostaria. A confiança reflete um sentimento positivo diante da adversidade (lembrando que a adversidade pode ser só aparente!). Quando você confiança, se sente bem e, por isso, é capaz de pensar com mais clareza e criatividade. Não foi o que aconteceu comigo? Acabei de criar este artigo.

Ei, deixe um comentário abaixo para eu saber o que você achou!

Seja feliz!

Ps. Meu dia foi produtivo e agradável e nada se quebrou.

Fabiana Santos é coach e servidora pública federal. Sua missão é inspirar e instruir pessoas a viver de uma maneira mais leve e prazerosa e, com isso, alcançar mais resultados em suas vidas. Inscreva-se nos sites fabianasantos.com.brcandidatoaprovado.com ( este último direcionado especificamente para preparação para concursos públicos) para acessar vídeos exclusivos da autora.